“Tenho um dinheiro guardado. É melhor usar para diminuir o financiamento do apartamento ou deixar investido?”
Essa parece uma pergunta simples.
Muitas vezes, a resposta que aparece é: compare a taxa do financiamento com o rendimento do investimento e escolha o que tiver o melhor resultado.
Mas não é tão simples assim.
Usar o dinheiro para diminuir o financiamento reduz a dívida, mas também significa deixar uma parte maior do patrimônio presa no imóvel.
Manter o dinheiro investido preserva a reserva e a possibilidade de usar esse recurso para outros objetivos, mas significa continuar pagando o financiamento.
Por isso, antes de decidir, existem algumas perguntas mais importantes.
1. Se usar esse dinheiro no imóvel, quanto vai sobrar?
Essa seria minha primeira pergunta.
Imagine uma família que tenha R$ 200 mil investidos e um financiamento imobiliário.
Usar os R$ 200 mil para diminuir a dívida pode parecer uma ótima ideia. Afinal, quanto menor o financiamento, menos juros serão pagos ao longo do tempo.
Mas existe outro lado.
Se esses R$ 200 mil representam praticamente todo o dinheiro disponível da família, ela pode ficar com um imóvel de maior valor, uma dívida menor e quase nenhum dinheiro disponível para uma emergência.
E dinheiro colocado no imóvel não tem a mesma facilidade de acesso que dinheiro investido.
Por isso, antes de pensar em amortizar ou quitar um financiamento, é importante separar o valor que precisa continuar disponível como reserva de emergência.
2. Quanto realmente custa o financiamento?
Depois de olhar para a reserva, é hora de olhar para a dívida.
Aqui existe uma informação importante no contrato: o Custo Efetivo Total, conhecido como CET.
O nome parece complicado, mas a ideia é simples.
A taxa de juros não mostra necessariamente tudo o que se paga pelo crédito. O CET mostra o custo da operação considerando juros, tarifas, impostos e outros encargos.
O Banco Central orienta que o consumidor observe o CET para comparar operações de crédito, e essa informação deve constar no contrato quando aplicável.
Portanto, em vez de olhar apenas para a taxa anunciada pelo banco, vale descobrir:
3. E quanto esse dinheiro poderia render investido?
Agora podemos olhar para o outro lado.
Se o dinheiro não for utilizado no financiamento, onde ficará investido?
Essa pergunta é importante porque não adianta comparar o financiamento com uma rentabilidade que dificilmente será mantida durante muitos anos.
Também é preciso lembrar dos impostos, quando houver.
Então a comparação começa a ficar mais justa:
Se a dívida custa muito mais do que o dinheiro provavelmente renderá investido, amortizar ganha força.
Se o financiamento tem um custo baixo e existe uma boa estratégia para manter aquele patrimônio investido no longo prazo, continuar investindo pode fazer sentido.
Mas ainda falta uma parte importante da decisão.
4. Quanto do patrimônio já está no imóvel?
Imagine uma mulher que tenha um apartamento de R$ 1 milhão e R$ 500 mil investidos.
Se ela utilizar os R$ 500 mil para quitar ou reduzir significativamente o financiamento, terá uma dívida menor.
Isso é positivo.
Mas também passará a ter uma parcela muito maior do patrimônio concentrada no imóvel.
E isso importa porque um imóvel e R$ 500 mil investidos cumprem funções diferentes na vida financeira.
O dinheiro investido pode formar uma reserva, financiar objetivos futuros, complementar a aposentadoria ou simplesmente proporcionar segurança.
Já o imóvel onde a família mora tem outra função.
Por isso, diminuir uma dívida não deveria ser a única preocupação. Também é importante pensar em como o patrimônio ficará depois dessa decisão.
Veja os dois lados da decisão
Amortizar
- dívida menor;
- menos juros futuros;
- menos liquidez;
- mais patrimônio concentrado no imóvel.
Manter investido
- mantém a dívida;
- preserva a liquidez;
- permite diversificação;
- mantém o dinheiro disponível para outros objetivos.
Não existe uma opção certa para todo mundo. A melhor escolha depende dos números, da liquidez e dos objetivos.
5. Então, quando amortizar pode fazer sentido?
Amortizar o financiamento pode ser uma boa decisão quando:
- existe uma reserva de emergência adequada;
- o dinheiro não será necessário para outros objetivos próximos;
- o financiamento tem um custo relevante;
- a pessoa já possui outros investimentos;
- reduzir a dívida ou as despesas mensais é uma prioridade.
Para alguém que está se aproximando da aposentadoria, por exemplo, chegar a essa fase da vida com o imóvel quitado pode fazer parte do planejamento.
Mas isso não significa que todas as pessoas devam quitar o financiamento assim que tiverem dinheiro disponível.
6. E quando continuar investindo pode fazer sentido?
Manter parte do dinheiro investido pode ser interessante quando usar todo o recurso no imóvel deixaria a família praticamente sem dinheiro disponível.
Também pode fazer sentido quando já existe uma grande parcela do patrimônio concentrada em imóveis ou quando aquele dinheiro será necessário para outros objetivos.
Existe, porém, uma condição importante:
Não faz sentido decidir manter R$ 200 mil investidos porque a conta parece mais vantajosa e, aos poucos, utilizar esse dinheiro para aumentar o padrão de vida.
Nesse caso, a comparação deixa de existir.
7. Se eu decidir amortizar, é melhor diminuir o prazo ou a parcela?
Essa também é uma dúvida muito comum.
Ao fazer uma amortização, o valor pago reduz o saldo da dívida.
Em financiamentos habitacionais, é possível encontrar opções para usar essa amortização para reduzir o prazo do financiamento ou reduzir o valor das próximas prestações. A CAIXA, por exemplo, prevê essas duas possibilidades em seus contratos habitacionais.
A escolha depende do objetivo.
Diminuir o prazo
Faz mais sentido quando a prioridade é terminar o financiamento mais cedo e reduzir o tempo pagando juros.
Diminuir a prestação
Pode fazer mais sentido quando a prioridade é diminuir o comprometimento mensal da renda e abrir espaço no orçamento.
Uma pessoa que está com as contas apertadas pode valorizar muito mais uma prestação menor.
Outra, com orçamento confortável, pode preferir continuar pagando uma prestação semelhante e terminar o financiamento antes.
Mais uma vez, a melhor escolha depende da situação financeira.
8. E na compra do imóvel: dar uma entrada maior ou investir?
A lógica é praticamente a mesma.
Dar uma entrada maior significa financiar menos.
Mas colocar praticamente todo o dinheiro disponível na entrada pode fazer a família começar uma nova fase da vida com um imóvel e pouca reserva financeira.
Uma maneira simples de pensar é separar o dinheiro em três partes:
Só depois disso faz sentido decidir quanto utilizar como entrada.
Antes de decidir, responda estas 5 perguntas
- Quanto precisa continuar disponível como reserva de emergência?
- Quanto o financiamento realmente custa?
- Quanto esse dinheiro pode render investido no longo prazo?
- Quanto do patrimônio já está concentrado no imóvel?
- Quais são os planos para esse dinheiro nos próximos anos?
Só depois dessas respostas faz sentido comparar os cenários.
Afinal, é melhor amortizar o financiamento ou investir?
Não existe uma resposta que funcione para todo mundo.
Amortizar significa reduzir a dívida e os juros futuros, mas também colocar mais dinheiro dentro do imóvel.
Investir significa manter liquidez e patrimônio financeiro, mas continuar carregando uma dívida.
Por isso, a resposta não está apenas em descobrir qual das duas taxas é maior.
Se alguém disser que é sempre melhor quitar ou que é sempre melhor investir sem conhecer esses números, vale desconfiar.
Vale a pena quitar o financiamento imobiliário antes do prazo?
Pode valer. Mas antes é importante avaliar quanto será economizado, quanto dinheiro continuará disponível depois da quitação e se existem outros objetivos para aquele recurso.
Amortizar o financiamento diminui os juros?
Sim. Ao reduzir o saldo devedor, diminui-se a base sobre a qual os juros futuros serão calculados. A CAIXA informa que a amortização pode reduzir o prazo ou o valor da prestação, conforme a modalidade escolhida.
É melhor amortizar o prazo ou diminuir a prestação?
Depende do objetivo. Quem deseja terminar o financiamento mais cedo pode priorizar a redução do prazo. Quem precisa de mais espaço no orçamento pode preferir reduzir a prestação.
Tenho dinheiro investido. Devo usá-lo para quitar o financiamento?
Não necessariamente. Primeiro é importante verificar quanto precisa permanecer como reserva, qual é o custo do financiamento e qual será a situação do patrimônio depois da quitação.
Antes de tomar uma decisão importante com seu patrimônio
Decisões como comprar um imóvel, dar uma entrada maior, amortizar um financiamento ou manter o dinheiro investido podem afetar a vida financeira durante muitos anos.
Por isso, vale olhar para o conjunto, e não apenas para uma taxa.
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Fazer meu Check-up FinanceiroReferências
Banco Central do Brasil. Empréstimos e financiamentos. O BC orienta observar o Custo Efetivo Total, que reúne juros, tarifas, impostos e outros custos da operação de crédito.
Banco Central do Brasil. Informações que devem estar no contrato. Entre as informações previstas estão taxas, tarifas, tributos e CET.
CAIXA Econômica Federal. Perguntas frequentes para quem possui contrato imobiliário. A CAIXA explica as opções de amortização com redução de prazo ou de prestação.